Medo de fazer mamografia é normal. O exame é um ato de cuidado, não de medo
Veja o que acontece de verdade em cada etapa, da recepção ao laudo, e o que você pode pedir a qualquer momento.
Marcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 27 de julho de 2026
Medo de fazer mamografia é normal. O exame é um ato de cuidado, não de medo
Neste artigo você vai descobrir:
- Por que a mama é comprimida, quanto tempo isso dura e o que reduz o desconforto
- O que significa, de verdade, ser chamada de volta depois de um exame de rotina
- O caminho completo do exame, da recepção ao laudo, etapa por etapa
- O que você pode dizer e pedir na recepção e dentro da sala
O pedido de mamografia está na sua bolsa há semanas. Você já pensou em ligar, já anotou o telefone, já adiou duas vezes. Talvez esteja lendo isto agora à noite, no celular, sem ter contado para ninguém.
Medo de fazer mamografia tem explicação, e quase sempre vem de três lugares diferentes: a dor que dizem que dói, a possibilidade de ser chamada de volta e o que o laudo pode dizer.
Este texto trata dos três, nessa ordem. Antes deles, explica o que a mamografia procura. Depois, mostra o exame inteiro, etapa por etapa, e o que você pode dizer e pedir em cada momento.
Nenhuma frase aqui vai mandar você não sentir medo.
Sentir medo antes da mamografia é comum, e isso está medido
O medo antes da mamografia não é exagero nem frescura. Quando se pergunta às mulheres por que elas não fazem o exame, o desconforto físico aparece no topo da lista, à frente de qualquer outro motivo.
Um estudo da Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp), de 2025, ouviu 170 mulheres de 50 a 69 anos. A dor durante o exame foi citada como barreira em 59% das respostas.
Depois dela vieram a longa espera para conseguir realizar o exame, com 44%, a dificuldade para agendar, com 40%, e o medo do diagnóstico, com 32%.
A pesquisa foi conduzida por Carolina Terra de Moraes Luizaga e Alice Barros Câmara, com apoio da FAPESP, e divulgada pela Agência FAPESP em 03/12/2025.
Medo do exame também não é assunto de quem não estudou o tema. Em artigo publicado no UnB Notícias em 08/02/2024, a professora Maria Inez Montagner, da Faculdade UnB Ceilândia, escreve sobre o próprio medo do diagnóstico e afirma que ele é compartilhado por todos.
Se você chegou aqui pensando alguma versão de "tenho medo de fazer mamografia e agora", existe uma parte prática da resposta. Boa parte do medo não vem do exame em si, vem de não saber o que acontece dentro da sala. Isso dá para resolver antes de sair de casa, e é o que vem a seguir.
O que a mamografia procura, e o que ela não decide sozinha
A mamografia é um exame de imagem que procura alterações pequenas demais para serem sentidas na mão, como nódulos iniciais e microcalcificações no tecido mamário. Ela levanta a suspeita. Ela não fecha diagnóstico.
Essa distinção importa mais do que parece. O resultado da mamografia é uma imagem que um médico radiologista lê, classifica e, se precisar, pede para complementar. O que fazer com esse achado é definido em avaliação médica, com você junto na conversa.
Rastreamento e exame diagnóstico não são a mesma coisa
Dois termos aparecem no pedido médico e confundem muita gente. Rastreamento é o exame de rotina, feito em quem não tem sintoma nenhum, para procurar algo que ainda não deu sinal.
Exame diagnóstico é a investigação de uma queixa ou de um achado, quando já existe alguma coisa a esclarecer.
Guarde essa diferença. É ela que explica, mais adiante, por que ser chamada de volta depois de um exame de rotina significa algo bem diferente do que a maioria das pessoas imagina.
A partir de que idade e com que frequência
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em Nota de Esclarecimento de 22/10/2024, recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos para todas as mulheres, mantida até os 75 anos. Depois dos 75, a decisão passa a ser compartilhada com o médico assistente.
A mesma nota registra que mulheres com casos de câncer de mama ou de ovário na família podem iniciar antes dos 40 anos. Idade e intervalo são ponto de partida, não regra fechada: a indicação individual é definida em avaliação médica.
Medo 1, a dor: por que a mama é comprimida e quanto tempo isso dura
A compressão existe por quatro motivos técnicos, e um deles é proteger você. Ela dura alguns segundos a cada disparo, não o exame inteiro.
Os quatro motivos da compressão
Quem explica por que a placa aperta é Evelyn Rosa de Oliveira, Tecnóloga em Radiologia, Mestre em Engenharia Biomédica e professora do Curso de Tecnologia em Radiologia da UNINTER, em texto publicado em 11/10/2024:
- reduz a espessura da mama, o que separa estruturas que se sobrepõem;
- evita que tecidos sobrepostos escondam ou simulem uma alteração;
- diminui a dose de radiação recebida no exame;
- impede o movimento durante a exposição, evitando imagem borrada e a repetição do disparo.
Vale parar no item 3, porque quase ninguém conta essa parte. A mesma placa que incomoda é a que reduz a dose de radiação que você recebe (Oliveira, UNINTER, 2024).
A compressão não é o preço do exame. Ela é parte do cuidado com quem está ali.
A compressão dura segundos, não minutos
O aperto sobe aos poucos, o disparo acontece e a placa é liberada logo em seguida. A compressão dura alguns segundos por disparo (Oliveira, UNINTER, 2024), e não o tempo todo em que você está na sala.
Sobre a duração total do exame, aqui não vai sair um número. Esse tempo varia com o serviço, com o equipamento e com a quantidade de imagens necessárias.
Para se organizar no dia, pergunte no momento do agendamento quanto tempo costuma levar o atendimento.
O que costuma deixar o exame mais confortável
Oliveira (UNINTER, 2024) indica três coisas simples: evitar agendar durante a menstruação, relaxar a musculatura peitoral e dos ombros antes do posicionamento, e conversar sobre o assunto se as mamas forem muito sensíveis.
Sobre o dia do mês, a formulação honesta é esta: as mamas costumam estar mais sensíveis nos dias que antecedem a menstruação e durante ela. Quando dá para escolher, marcar para depois costuma deixar o exame mais confortável.
Isso é conforto, não regra. A mamografia pode ser feita em qualquer fase do ciclo, e a melhor data para o seu caso é definida em avaliação médica.
Se quiser a lista completa do que fazer antes, o preparo da mamografia está reunido em outro texto do blog.
O exame passo a passo, da recepção ao laudo
Da chegada à saída, a mamografia é uma sequência curta e previsível de etapas. Você pode saber o que vem em cada uma antes de entrar na sala.
É por isso que este trecho existe. Muita gente não tem medo da compressão, tem medo de não saber quem vai estar na sala, o que vão pedir para você fazer e em que ordem.
Na recepção: o que levar e o que avisar
Leve documento com foto, o pedido médico e a carteirinha, se você usa convênio. Leve também exames de mama anteriores, porque a comparação com imagens antigas ajuda a leitura.
Avise a equipe sobre cirurgia mamária prévia, prótese, amamentação em curso, suspeita de gravidez e mamas muito sensíveis.
E avise, também, que você está ansiosa. Na Preciore, esse aviso é tratado como parte do atendimento, não como detalhe: ele muda o ritmo com que a equipe conduz o exame.
No vestiário: o que tirar e o que vestir
Você retira as peças da cintura para cima e veste um avental fornecido pela clínica, em ambiente reservado. A orientação é chegar sem desodorante, talco ou creme na região das mamas e das axilas no dia do exame.
Detalhe pequeno que ajuda: roupa de duas peças, blusa e calça ou saia, facilita mais do que vestido.
Na sala: o posicionamento e as duas incidências
Quem conduz o exame é o técnico ou o tecnólogo em radiologia. Essa pessoa vai tocar a sua mama para posicioná-la sobre o suporte, porque o posicionamento correto é o que garante que toda a mama apareça na imagem.
São feitas duas incidências por mama. A craniocaudal registra a mama de cima para baixo. A mediolateral oblíqua registra na diagonal, de lado, incluindo parte da axila.
A compressão sobe gradualmente e é liberada logo após o disparo (Oliveira, UNINTER, 2024). Você fica de pé o tempo todo, o exame não é deitado, e pode pedir uma pausa entre um disparo e outro.
Depois dos disparos: o que acontece com as imagens
Antes de você sair, a qualidade das imagens é conferida ainda ali. Repetir um disparo porque a imagem ficou borrada é comum e não significa que algo foi encontrado, significa que a imagem precisa ficar nítida para ser lida.
A leitura é feita depois, por médico radiologista com CRM e RQE. A Preciore reúne 18 profissionais com registro e especialidade na equipe.
O laudo: quem lê e em quanto tempo
O prazo de entrega do laudo varia conforme o tipo de exame e o serviço, e não cabe chutar um número aqui. Confirme o prazo quando marcar: saber a data exata em que o resultado fica pronto é o que mais ajuda a organizar a espera.
Medo 2, ser chamada de volta: o que isso quer dizer de verdade
Ser chamada de volta depois de uma mamografia de rastreamento quase sempre significa que a imagem não ficou conclusiva e precisa de complementação, não que algo foi encontrado.
BI-RADS 0 quer dizer "a imagem não ficou conclusiva"
Todo laudo de mamografia recebe uma classificação chamada BI-RADS, um sistema padronizado que resume o achado do exame e indica a conduta seguinte. A categoria 0 é a que gera o telefonema, e ela quer dizer exatamente isto: exame inconclusivo, faltou informação, precisa complementar.
Segundo o INCA e o Ministério da Saúde, no documento Parâmetros Técnicos para o Rastreamento do Câncer de Mama, cerca de 99% das reconvocações no rastreamento correspondem à categoria BI-RADS 0.
Traduzindo: quando o serviço liga pedindo que você volte, o mais provável, de longe, é que faltou imagem, não que sobrou achado.
Reconvocar uma parte das mulheres é parte prevista do rastreamento
O mesmo documento do INCA e do Ministério da Saúde considera aceitável uma taxa de reconvocação de 5% a 12% no rastreamento, referência tomada do Breast Cancer Surveillance Consortium (BCSC).
Quer dizer: chamar de volta uma parcela das mulheres não é falha do serviço, é parâmetro de qualidade.
O estudo de Rauscher e colaboradores, publicado no AJR Am J Roentgenol em 2021, chegou a uma faixa ótima ainda mais estreita, de 7% a 9%, com taxa de detecção de câncer de 4,0 por 1.000 mamografias de rastreamento.
Nas palavras dos autores, "recall rates between 7% and 9% appeared to maximize cancer detection while minimizing unnecessary biopsies", isto é, taxas nessa faixa maximizam a detecção e reduzem biópsias desnecessárias.
Existe um intervalo de referência justamente porque os dois extremos atrapalham. Chamar de volta gente demais gera investigação desnecessária. Chamar de menos aumenta a chance de um achado passar sem ser visto.
O que costuma ser pedido na complementação
Na maior parte das vezes, a complementação é simples: uma incidência adicional, a ampliação de uma área específica ou uma ultrassonografia mamária para ver o mesmo ponto por outro método.
Em alguns casos, o médico define uma avaliação complementar em consulta com mastologista. O que vai ser pedido depende da imagem e do seu histórico, e isso é decidido em avaliação médica.
A grande maioria das reconvocações não termina em diagnóstico de câncer
Junte os dois dados anteriores. Se cerca de 99% das reconvocações correspondem a exames inconclusivos que pedem complementação (INCA e Ministério da Saúde) e se a detecção de câncer no rastreamento é da ordem de 4,0 casos por 1.000 mamografias (Rauscher e cols., AJR, 2021), a leitura é direta.
A grande maioria das mulheres chamadas de volta não recebe diagnóstico de câncer.
Isso não apaga o susto do telefonema. Mas muda o que ele significa, e é por isso que este trecho está aqui, e não escondido no fim do texto.
Medo 3, o resultado: o que fazer com o que não dá para controlar
Esperar sem fazer o exame não faz o medo diminuir, e não muda o que existe ou não existe. Fazer o exame devolve a você duas coisas: a informação e o tempo de decidir.
Este é o único dos três medos que não se resolve com explicação técnica. Ele se resolve, na medida do possível, com honestidade.
Adiar não elimina o medo, prolonga
É essa a tese central de Maria Inez Montagner no UnB Notícias, em 08/02/2024: esperar sem fazer o exame só piora o medo. A professora nomeia como alívio a sensação que costuma vir depois, quando o exame finalmente está feito.
Ela escreve isso como pesquisadora, com nome e vínculo institucional, não como propaganda. E escreve assumindo que também sente medo, o que é raro em texto sobre o tema.
Descobrir cedo muda o que se pode fazer
Montagner (UnB, 2024) resume o motivo pelo qual o rastreamento existe como rotina, e não como resposta a um sintoma: a detecção precoce permite tratamento menos invasivo.
Não vai sair daqui uma estatística de incidência ou de mortalidade. Número desse tipo, neste texto, serviria só para pressionar, e pressão não é cuidado.
Se algo for encontrado, existe um caminho definido
Se a imagem apontar alguma alteração, o caminho é um processo, não uma sentença. Ele costuma começar pela complementação de imagem, seguir para a avaliação do mastologista e, quando indicado, incluir uma biópsia para esclarecer a natureza do achado.
Nada disso acontece de uma vez, e nada disso acontece sem você. Cada etapa é conversada, e a conduta é definida em avaliação médica individual.
Vergonha e culpa: as duas coisas que quase ninguém fala em voz alta
Vergonha do corpo e culpa por ter demorado são barreiras reconhecidas no rastreamento feminino. Nenhuma das duas é motivo para adiar de novo.
Vergonha do corpo e da exposição
Em estudo irmão da mesma equipe da Fosp, de 2025, com 384 mulheres de 25 a 64 anos, publicado em Cancer Causes & Control, a vergonha apareceu em 29% das respostas.
É importante dizer com todas as letras: esse dado é do rastreamento do câncer do colo do útero, não da mamografia, e o percentual não se transfere de um exame para o outro.
O que ele mostra é outra coisa, e já é suficiente: vergonha é barreira documentada em rastreamento feminino. Não é invenção sua, e não é motivo de constrangimento.
Na prática, o que costuma tranquilizar é saber o cenário. A troca de roupa é feita em ambiente reservado, a sala tem a profissional que conduz o exame, a exposição é da mama por vez e dura o tempo do posicionamento e do disparo.
Voltar depois de anos não coloca você em dívida com ninguém
Montagner (UnB, 2024) trata explicitamente de culpa e de autoperdão para quem adiou o exame por muito tempo. É um dos poucos textos publicados sobre o tema que fazem isso sem repreensão.
Se faz cinco, oito ou doze anos que você não faz mamografia, ninguém vai cobrar explicação na recepção. O dia de retomar é o dia em que você marcar.
O que você pode pedir: um roteiro para o dia do exame
Você pode avisar que está com medo, pedir pausa, pedir que expliquem cada passo e interromper se precisar. Nada disso atrapalha o exame.
O que dizer na recepção quando se está com medo
Se as palavras não saírem na hora, use estas:
- "É a minha primeira mamografia e estou nervosa. Você pode me explicar cada passo antes?"
- "Tenho as mamas bem sensíveis. Dá para ir com calma na compressão?"
- "Já fiz uma vez e não foi uma boa experiência. Preciso de um pouco mais de tempo."
- "Prefiro que me avisem antes de cada disparo."
Se preferir resolver isso antes do dia, dá para deixar registrado já no agendamento pelo contato da clínica.
Pausa, ritmo e o direito de dizer que está doendo
Você pode pedir para parar entre um disparo e outro. Falar durante o posicionamento não estraga nada, ajuda a equipe a ajustar a altura, o ângulo e a velocidade da compressão.
Não dá para prometer que não vai incomodar. O que dá para dizer com honestidade é que o incômodo tem começo, meio e fim, e que você tem voz durante todo ele.
Antes de entrar na sala
Chegue com folga no horário, respire devagar e solte os ombros e a musculatura peitoral antes do posicionamento, como orienta Oliveira (UNINTER, 2024). Vá sem desodorante e sem talco, com roupa de duas peças.
Se quiser conferir a lista completa antes de sair de casa, ela está no texto sobre preparo para a mamografia.
Depois do exame: o que fazer com a espera
A espera pelo laudo é, para muita gente, a parte mais difícil do processo. Ela fica mais leve quando você sabe de antemão três coisas: o prazo, quem vai ler o exame e para quem levar o resultado.
O prazo você confirma no agendamento, e vale anotar. As imagens são lidas por médico radiologista com CRM e RQE, e a equipe da Preciore reúne 18 profissionais com registro e especialidade.
O resultado volta para quem pediu o exame, seja o ginecologista, o clínico ou o mastologista. Se o pedido foi seu por conta própria, o caminho natural é levar o laudo a uma consulta com mastologista, e o atendimento pode ser feito por convênio.
Sobre a ansiedade desses dias, não existe fórmula. O que ajuda a maioria das pessoas é ter uma data definida para o retorno, em vez de uma espera sem contorno.
Três mitos sobre a mamografia que atrapalham a decisão
Além dos três medos, circulam três frases prontas que seguram o agendamento. Nenhuma delas se sustenta quando olhada de perto.
"Mamografia dói muito"
Não é bem assim. O que existe é um desconforto momentâneo, concentrado nos segundos de compressão de cada disparo, não no exame inteiro (Oliveira, UNINTER, 2024). Os motivos da compressão, a duração e o que deixa o exame mais confortável estão detalhados na seção do Medo 1, mais acima.
O benefício compensa esse momento: a mamografia pode identificar alterações antes de qualquer sintoma aparecer, e descobrir cedo permite tratamento menos invasivo (Montagner, UnB, 2024).
"A mamografia pode espalhar o câncer"
Não existe evidência disso, e aqui a resposta tem assinatura. O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Febrasgo afirmam, em nota de esclarecimento conjunta de 2020, que a compressão da mama durante o exame não aumenta o risco de disseminação do tumor, sendo essencial para a qualidade do exame.
O mecanismo ajuda a entender: a compressão é uma pressão externa e breve, que dura segundos por disparo e serve para imobilizar a mama e reduzir a espessura do tecido (Oliveira, UNINTER, 2024). É um mito antigo, e a nota das três entidades existe justamente para desmenti-lo.
"Se eu não sinto nada, não preciso fazer mamografia"
Este é um dos maiores mitos. Grande parte dos cânceres de mama em fase inicial não provoca dor nem qualquer sintoma. É justamente por isso que a mamografia é tão preciosa: ela encontra alterações antes que sejam percebidas.
O rastreamento existe exatamente para isso. Como definem o INCA e o Ministério da Saúde, é o exame feito em quem não tem sintoma nenhum, para procurar o que ainda não deu sinal. Esperar sentir algo para marcar é inverter a lógica do exame.
O exame é seu, e isso muda tudo
Chegando até aqui, os três medos ficaram menores por motivos diferentes. A dor tem tempo medido e razão técnica, inclusive a de reduzir a dose de radiação (Oliveira, UNINTER, 2024). Ser chamada de volta quase sempre quer dizer imagem inconclusiva, e não achado (INCA e Ministério da Saúde).
O medo do resultado, o único que não se explica, ao menos não cresce quando você faz o exame. Ele cresce quando você adia (Montagner, UnB, 2024).
Fica uma diferença de posição, e ela é a parte que importa. A mamografia não é algo que fazem com você. É algo que você faz por você, com a informação, o ritmo e as perguntas que você escolher levar para dentro da sala.
Quando quiser dar o próximo passo, é possível agendar o exame ou falar antes com a equipe pelo contato para tirar qualquer dúvida do dia.
Perguntas frequentes
A mamografia dói?
A mamografia costuma incomodar, e esse incômodo se concentra nos segundos de compressão de cada disparo, não no exame inteiro (Oliveira, UNINTER, 2024). A dor é a barreira mais citada pelas próprias mulheres: apareceu em 59% das respostas no estudo da Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp), de 2025. Há o que fazer para reduzir o desconforto. Quando dá para escolher a data, evitar os dias de maior sensibilidade ajuda, assim como relaxar os ombros e a musculatura peitoral antes do posicionamento e avisar a equipe se as mamas forem muito sensíveis (Oliveira, UNINTER, 2024). Você também pode pedir pausa entre um disparo e outro.
Por que a mama precisa ser comprimida durante a mamografia?
A compressão existe por quatro motivos técnicos (Oliveira, UNINTER, 2024): reduzir a espessura da mama e separar estruturas sobrepostas, evitar que tecidos sobrepostos escondam ou simulem uma alteração, diminuir a dose de radiação recebida no exame e impedir o movimento durante a exposição. O terceiro motivo é o menos conhecido e talvez o mais importante: a mesma placa que aperta é a que reduz a radiação que você recebe. E um esclarecimento que costuma pesar na decisão: a compressão não aumenta o risco de disseminação do tumor, conforme nota de esclarecimento conjunta do CBR, da SBM e da Febrasgo, de 2020.
Quanto tempo dura o exame de mamografia?
A compressão de cada disparo dura alguns segundos, não o exame inteiro (Oliveira, UNINTER, 2024). Já o tempo total do atendimento varia conforme o serviço, o equipamento e a quantidade de imagens necessárias, então o mais seguro é perguntar no momento do agendamento. Você fica de pé durante o exame, e são feitas duas incidências por mama, a craniocaudal e a mediolateral oblíqua.
Ser chamada de volta depois da mamografia significa que tenho câncer?
Não. Cerca de 99% das reconvocações no rastreamento correspondem à categoria BI-RADS 0, que significa exame inconclusivo e pedido de complementação, não achado suspeito (INCA e Ministério da Saúde, *Parâmetros Técnicos para o Rastreamento do Câncer de Mama*). Chamar de volta uma parcela das mulheres é parte prevista do rastreamento: a taxa considerada aceitável vai de 5% a 12% (INCA e Ministério da Saúde), e a detecção de câncer no rastreamento é da ordem de 4,0 casos por 1.000 mamografias (Rauscher e cols., AJR Am J Roentgenol, 2021). A conduta de cada caso é definida em avaliação médica.
Posso pedir para o técnico parar ou dar uma pausa durante o exame?
Sim. Você pode pedir uma pausa entre um disparo e outro, avisar quando estiver incomodando e pedir que expliquem cada passo antes de fazer. Nada disso atrapalha o exame. Falar durante o posicionamento ajuda a equipe a ajustar a altura, o ângulo e a velocidade da compressão. Se preferir, dá para avisar já na recepção que você está ansiosa ou que é a sua primeira vez.
Existe um melhor dia do mês para fazer a mamografia?
A mamografia pode ser feita em qualquer fase do ciclo. Como as mamas costumam estar mais sensíveis nos dias que antecedem a menstruação e durante ela, quando há a possibilidade de escolher, marcar para depois costuma deixar o exame mais confortável (Oliveira, UNINTER, 2024). Isso é conforto, não regra. A melhor data para o seu caso é definida em avaliação médica.
A partir de que idade devo fazer mamografia e com que frequência?
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em Nota de Esclarecimento de 22/10/2024, recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos, mantida até os 75 anos. Depois dos 75, a decisão passa a ser compartilhada com o médico assistente. A mesma nota registra que mulheres com casos de câncer de mama ou de ovário na família podem começar antes dos 40 anos. Idade e intervalo são ponto de partida, e a indicação individual é definida em avaliação médica.
Nunca fiz mamografia. O que acontece na primeira vez?
Na recepção você entrega documento com foto, pedido médico, exames de mama anteriores e a carteirinha do convênio, se usar. No vestiário, em ambiente reservado, retira as peças da cintura para cima e veste um avental. Na sala, o técnico ou tecnólogo em radiologia posiciona cada mama e faz [duas incidências por lado](/servicos/mamografia), com você de pé. Depois dos disparos, a qualidade das imagens é conferida ainda ali, e o laudo é elaborado por médico radiologista com CRM e RQE. Você pode avisar que é a sua primeira vez e pedir que expliquem cada etapa antes. Chegue sem desodorante e sem talco, com roupa de duas peças, que a troca fica mais simples.
Resumo
- Sentir medo antes da mamografia é comum, e a dor é a barreira mais relatada pelas próprias mulheres (Fosp, 2025).
- A compressão dura alguns segundos e existe também para reduzir a dose de radiação recebida no exame (Oliveira, UNINTER, 2024).
- Ser chamada de volta quase sempre significa imagem inconclusiva, categoria BI-RADS 0, e não achado suspeito (INCA e Ministério da Saúde).
- Você pode avisar que está com medo, pedir pausa e pedir explicação em cada etapa do exame.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. A indicação da mamografia, o intervalo entre os exames e a interpretação do laudo dependem de avaliação médica individual.
Revisão técnica: Dra. Raquel Aranha, CRM-MA 5005, RQE 2464, responsável técnica da Clínica Preciore.
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.
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