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Exames e diagnóstico

Quais exames um mastologista pede, e por que o pedido varia

Não existe pacote padrão. O pedido é montado por finalidade, rastreamento, investigação ou confirmação, e ajustado à idade, à densidade mamária e ao histórico de cada pessoa.

Marcio Moreira, Estrategista de conteúdo e SEO do blog da Clínica PrecioreMarcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 23 de julho de 2026
Médica examina imagens de mamografia no negatoscópio com o auxílio de uma lupa

Quais exames um mastologista pede, e por que o pedido varia

Neste artigo você vai descobrir:

  • Os exames de cada finalidade: rastreamento, investigação de achado e confirmação diagnóstica
  • Por que a mesma queixa pode gerar pedidos diferentes em duas pessoas
  • O peso da idade, da densidade mamária e do histórico familiar na escolha
  • O que levar para a consulta para que o pedido saia completo

Quais exames um mastologista pede?

O mastologista pede exames com três finalidades diferentes: rastreamento, investigação de um achado e confirmação diagnóstica. No rastreamento, o exame de referência é a mamografia; na investigação, entram a ultrassonografia mamária e, em situações específicas, a ressonância magnética das mamas; na confirmação, a biópsia. Não existe um pacote fixo, o pedido é montado a partir da idade, do exame clínico das mamas, da densidade mamária e do histórico de cada pessoa.

Essa divisão por finalidade explica por que duas mulheres da mesma idade saem da consulta com mastologista com pedidos diferentes. O exame não é escolhido pelo nome, é escolhido pela pergunta que precisa ser respondida.

Exames de rastreamento: quando não há queixa

Rastreamento é a busca por alterações em quem não sente nada. Nessa finalidade, o exame de referência é a mamografia. Para mulheres com risco habitual, as sociedades médicas brasileiras recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos (SBM, CBR e FEBRASGO, nota conjunta de 22/10/2024).

No SUS, a convocação de rotina é bienal, dos 50 aos 74 anos, e a faixa de 40 a 49 anos tem acesso sob demanda, com decisão compartilhada (Nota Técnica nº 626/2025 do Ministério da Saúde).

Antes de qualquer imagem, a consulta inclui a conversa sobre histórico e o exame clínico das mamas. É daí que sai o restante do pedido. Se quiser as idades em detalhe, veja a partir de que idade fazer mamografia.

Exames de investigação: quando existe um achado

Quando aparece um nódulo palpável, secreção pelo mamilo, alteração na pele ou um achado descrito no laudo da mamografia, a finalidade muda. Agora o objetivo é caracterizar: descrever o que é aquilo, onde está e qual o grau de suspeita.

A ultrassonografia mamária é o complemento mais frequente, porque diferencia lesões císticas de sólidas e avalia bem as mamas densas. Em situações específicas, como risco elevado ou dúvida que permanece depois da mamografia e do ultrassom, a ressonância magnética das mamas pode ser indicada (SBM, CBR e FEBRASGO, 22/10/2024).

Os laudos de imagem no Brasil seguem o sistema BI-RADS, adotado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (BI-RADS 5ª edição, ACR, 2013). A categoria, de 0 a 6, orienta a conduta: acompanhar, complementar com outro exame ou indicar biópsia. Ela não é um diagnóstico, é uma escala de suspeita, e quem a interpreta dentro do seu contexto é o médico que acompanha você.

Exames de confirmação diagnóstica: a biópsia

Nenhum exame de imagem fecha o diagnóstico sozinho. A confirmação vem da análise do tecido e, para lesões com indicação de biópsia, a via percutânea guiada por imagem é a recomendada nas Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil (INCA, 2015).

Na prática, isso costuma significar a core biopsy, feita com agulha grossa e anestesia local, guiada por ultrassom ou por mamografia. Para microcalcificações visíveis apenas na mamografia, a biópsia a vácuo, conhecida como mamotomia, é uma alternativa. O material colhido segue para o exame anatomopatológico e, quando indicado, para a imuno-histoquímica.

Vale dizer com todas as letras: indicação de biópsia não é diagnóstico de câncer. Muitas lesões investigadas se mostram benignas, e é exatamente para responder a essa pergunta que a biópsia existe.

Por que o pedido varia: idade, densidade mamária e histórico

Idade. Antes dos 40 anos, a mamografia não é exame de rastreamento de rotina para risco habitual, e a avaliação de uma queixa costuma começar pelo ultrassom. A partir dos 40, a mamografia passa a ser a base do acompanhamento em mulheres com risco habitual (SBM, CBR e FEBRASGO, 22/10/2024).

Densidade mamária. Mama densa tem mais tecido fibroglandular, que aparece branco na mamografia, assim como uma lesão pode aparecer. Isso reduz a sensibilidade do exame. Segundo o INCA, em dado citado em fevereiro de 2025, ela fica entre 53% e 77% em mulheres mais jovens, contra 88% na faixa de 50 a 69 anos. Por isso o ultrassom aparece com frequência como complemento nesse grupo.

Histórico. Casos de câncer de mama ou de ovário na família, radioterapia prévia na região do tórax, cirurgias mamárias anteriores e resultados de biópsias passadas mudam a conta. Quando há suspeita de componente hereditário, a avaliação genética entra na conversa para definir se existe indicação de teste.

Nada disso funciona como autoavaliação. A combinação que serve para o seu caso é definida em consulta, depois da anamnese e do exame clínico das mamas.

O que levar para a consulta

  • Exames de imagem anteriores, com as imagens e não apenas os laudos, mesmo os antigos.
  • Resultados de biópsias anteriores, se houver.
  • Histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, com grau de parentesco e idade no diagnóstico.
  • Queixas atuais e há quanto tempo você as notou.
  • Medicações em uso, incluindo terapia hormonal.

A comparação com exames anteriores é uma das informações mais úteis para quem emite o laudo. Uma alteração estável há anos é lida de um jeito, a mesma imagem, nova, é lida de outro.

Perguntas frequentes

Quais exames um mastologista pede?

Depende da finalidade. Para rastreamento, a mamografia é o exame de referência, com recomendação anual a partir dos 40 anos para risco habitual (SBM, CBR e FEBRASGO, 22/10/2024). Para investigar um achado, entram a ultrassonografia mamária e, em situações específicas, a ressonância magnética das mamas. Para confirmar um diagnóstico, a biópsia. A combinação do seu caso é definida em consulta.

O mastologista pede exames já na primeira consulta?

Pode pedir, e nem sempre pede. A consulta começa pela conversa sobre histórico e pelo exame clínico das mamas, e é isso que define o que vem depois. Se você já tem exames recentes, leve-os: em muitos casos eles respondem à pergunta e evitam repetição desnecessária.

Qual a diferença entre mamografia e ultrassonografia mamária?

A mamografia usa raios X e é o exame de referência para rastreamento em mulheres com risco habitual (SBM, CBR e FEBRASGO, 22/10/2024). A ultrassonografia usa ondas sonoras e é usada sobretudo para caracterizar achados, diferenciando lesões císticas de sólidas, além de avaliar bem as mamas densas. São exames com papéis distintos, e é comum que se completem.

A ultrassonografia mamária substitui a mamografia?

Não. No rastreamento de mulheres com risco habitual, o exame recomendado é a mamografia (SBM, CBR e FEBRASGO, 22/10/2024). O ultrassom aparece como complemento, principalmente em mamas densas e na investigação de achados, e não como substituto. Quem define a combinação no seu caso é o médico que acompanha você.

O que significa a categoria BI-RADS no laudo?

BI-RADS é a classificação usada nos laudos de imagem da mama, com categorias de 0 a 6 (BI-RADS 5ª edição, ACR, 2013, adotada no Brasil pelo Colégio Brasileiro de Radiologia). Ela indica o grau de suspeita e orienta a conduta, que pode ser acompanhar, complementar com outro exame ou indicar biópsia. A categoria não é diagnóstico e precisa ser lida junto com o seu histórico, na consulta.

Indicação de biópsia quer dizer que é câncer?

Não. A biópsia é o exame que responde a essa pergunta, e muitas lesões investigadas se mostram benignas. Para lesões com indicação, a via percutânea guiada por imagem é a recomendada nas Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil (INCA, 2015). O resultado sai do exame anatomopatológico e deve ser levado ao médico que solicitou.

O mastologista pede exame de sangue ou teste genético?

O rastreamento do câncer de mama no Brasil é baseado em exame de imagem, e a mamografia é o método recomendado (INCA, 2015; SBM, CBR e FEBRASGO, 2024). Exames de sangue podem ser solicitados por outros motivos, como preparo cirúrgico ou avaliação de outras condições. O teste genético não é rotina: ele é considerado após avaliação de risco, no aconselhamento genético.

Preciso levar exames antigos, mesmo de anos atrás?

Sim, e leve as imagens, não só os laudos. A comparação entre exames de anos diferentes é uma das informações mais úteis para quem emite o laudo, porque mostra o que mudou e o que permanece estável. Isso vale para mamografias, ultrassonografias, ressonâncias e resultados de biópsias anteriores.

Resumo

O caminho fica mais simples quando se olha para a finalidade do exame, e não para o nome dele. Rastreamento procura alterações em quem não tem queixa, e a mamografia é a base. Investigação caracteriza um achado, e a ultrassonografia mamária é o complemento mais frequente, com a ressonância reservada a situações específicas. Confirmação diagnóstica depende da análise do tecido, ou seja, biópsia.

O que muda de uma pessoa para outra é a combinação, não a lógica. Idade, densidade mamária, histórico familiar, cirurgias prévias e o que o exame clínico mostra definem quais exames entram no pedido e em que ordem.

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica presencial. Os exames indicados para o seu caso são definidos por um médico, a partir do seu histórico, do seu exame clínico e dos seus exames anteriores. Se quiser conversar sobre isso, agende sua avaliação com a nossa equipe em São Luís.

Revisão técnica: Dra. Raquel Aranha, CRM-MA 5005, RQE 2464.

Fontes consultadas:

  • SBM, CBR e FEBRASGO, nota conjunta de 22/10/2024, recomendações da mamografia.
  • INCA, Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil, 2015.
  • INCA, dado de sensibilidade da mamografia citado em fevereiro de 2025.
  • Ministério da Saúde, Nota Técnica nº 626/2025, divulgada em 29/09/2025.
  • BI-RADS, 5ª edição (ACR, 2013), adotada no Brasil pelo Colégio Brasileiro de Radiologia.

Publicado em: 02/08/2026 · Última atualização: 02/08/2026


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